domingo, 19 de setembro de 2010

Pronta para entrega!


Ao entrevistar alguém, há diversos patamares a serem percorridos e explorados a fim de se coletar conteúdo relevante, e suficiente, para a pesquisa em desenvolvimento.
No subsolo, os corredores possuem muitas áreas obscuras, portanto, todo cuidado é pouco. Saber ligar as luzes certas para se guiar (e guiar o outro) talvez seja tão, ou mais, essencial do que conhecer o caminho todo. Fazer perguntas básicas, diretas implicam na maioria das vezes em respostas mais claras e satisfatórias. Guiar o entrevistado com perguntas norteadoras garante rapidez em obter da resposta o foco que se deseja. Aparentar interesse é deveras importante, senão principal neste momento, pois esse andar é o terreno preparatório para o seguinte aprofundamento da pesquisa.
Chegando no térreo, pode-se encontrar esteio para perguntas um pouco mais complexas ou de cunho mais reflexivo. No entanto, ainda se deve respeitar os limites e receios do entrevistado já que este não se encontra totalmente imerso no universo abordado.
A partir do momento em que se pega o elevador pela segunda vez, não há mais volta. Resta apertar todos os botões e perceber em quais andares a pessoa sentada a sua frente (ou ao seu lado) decide descer e explorar. Além disso, quanto mais pessoas forem levadas a essa construção, mais explorada e consequentemente mobiliada e repleta de considerações ela estará.
Até o ponto em que os acabamentos estejam prontos, toda a iluminação acesa e a Pesquisa "pronta para entrega".

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

METOD (ologia de Pesquisa em) ARTE

Fonte: Deborah Lago

A arte é rizomática.
Ela é um grande rizoma de cadeias produtivas, lógicas e temporais.
Cadeias que se entrelaçam e confundem objeto e sujeito a toda hora e a toda prova em um jogo de cintura consciente que muitas vezes é, também, político. E que, porém, envolve sempre um onde, um como e um quem.
Esse quem produz, se forma, difunde e pesquisa nessa engenhoca de polias e engrenagens teórico-práticas que instigam e formatam essa indústria do saber artístico.
Assim como o quem, o onde comprova que as partes de cada cadeia podem fazer parte de ou encadear novas cadeias quando cria novas perspectivas de entendimento de um objeto por modificar completamente as ações físicas deste dependendo de suas atribuições.
O caráter cíclico desses esquemas propicia uma reciclagem que é característica da área da Pesquisa. A Arte, por si só, também é circular, mas circular de uma forma tão multidimensional em que os ciclos se entrelaçam e se confundem criando esse rizomarte.